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Quando o silêncio pesa: falar de saúde mental também é cuidar da vida 

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Data: 14/09/2026

Nem todo o sofrimento é visível. Há quem continue a trabalhar, a cumprir compromissos e a sorrir enquanto enfrenta, em silêncio, um sofrimento emocional profundo. É por isso que prevenir o suicídio não pode começar apenas quando os sinais se tornam evidentes.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Em Angola, as estimativas referentes a 2021 apontam para cerca de 2.800 mortes. Os dados devem ser lidos com prudência, devido às limitações de registo e à possibilidade de subnotificação, mas outros indicadores reforçam a necessidade de atenção: no primeiro semestre de 2025, o Hospital Psiquiátrico de Luanda registou 511 tentativas de suicídio, contra 336 no período homólogo do ano anterior.

Mais importante do que os números é compreender que o suicídio raramente resulta de uma única causa. Perdas, dificuldades económicas, conflitos, isolamento, doença mental e outros factores podem combinar-se de formas diferentes. Reduzir o problema a uma explicação simples apenas reforça o estigma.

Talvez uma das mudanças mais necessárias seja tornar possível falar sobre sofrimento sem confundir vulnerabilidade com fraqueza. Isto vale também para o trabalho. As organizações não substituem os profissionais de saúde, mas podem criar culturas onde pedir ajuda seja possível, onde a escuta tenha lugar e onde ninguém precise de esconder o que sente por receio de julgamento.

A Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho, nas suas orientações conjuntas de 2022 sobre saúde mental no trabalho, estimam que a depressão e a ansiedade fazem perder, todos os anos, cerca de doze mil milhões de dias de trabalho em todo o mundo, um custo próximo de um bilião de dólares para a economia global. 

Pela primeira vez, as duas organizações recomendam a formação de chefias para reconhecer sinais de sofrimento e responder com adequação. Os dados de clima organizacional confirmam a urgência: o inquérito State of the Global Workplace, da Gallup, situa em cerca de um terço a proporção de trabalhadores que efectivamente prosperam no seu bem-estar, ao passo que quatro em cada dez relatam stress diário. O conceito de segurança psicológica, desenvolvido pela investigadora Amy Edmondson, de Harvard, ajuda a explicar porquê: só há espaço para pedir ajuda ou admitir dificuldades quando a equipa sente que fazê-lo não implica julgamento ou penalização. 

Num contexto em que passamos grande parte da vida no trabalho, a qualidade das relações, o respeito, a pressão quotidiana e o sentimento de pertença também influenciam o bem-estar. Lideranças atentas e ambientes psicologicamente seguros não eliminam problemas pessoais, mas podem reduzir o isolamento e facilitar o acesso a apoio quando ele é necessário.

O lema internacional do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio para 2024–2026 é “Changing the Narrative on Suicide“, isto é, mudar a narrativa sobre o suicídio. Esse desafio começa por retirar o tema do silêncio e colocá-lo no domínio da saúde, da empatia e da responsabilidade colectiva.

Neste Setembro Amarelo, talvez não precisemos de ter sempre a frase certa. Às vezes, uma pergunta genuína: “Como estás?” e a disponibilidade para ouvir podem abrir uma porta.

Na Academia BAI, acreditamos que desenvolver pessoas passa também por reconhecer a sua dimensão humana, porque nem todas as conversas mudam uma vida. Mas algumas podem abrir caminho para que ela continue.

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